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Desídia
Data 20/set/1999

Há um lácteo sáxeo
comprimido:
opressa forma de pacto.

Há um sexo electro
complexo:
imenso bordel de falos.

Há um caso de amor
sem máscara mortuária:
ríctus explícitos engendrando

Há o perpétuo ir
do rio no meu devir.
De tanto ires
o espaço ficou repleto de nada:
que invade o meu tédio
a tua indignação.

Há a enzima infecciosa
mordendo meu desgosto:
látego salivar
escorrendo em dor
de teus injuriados ossos.

Lateja o graxo líquido do corpo,
seiva pronta ao jacto:
cristais de areia oxigenando o invólucro

A miséria pétrea
com sabor glacê
arrastando-se por sua
crucis via em larvar espécies:
rebuçado confeito
no sabor da sanha de um Senhor ACM.

A crônica dos agraciados:
a inconsistência de FHC
possuída de misters Ms
surfando em ondas
de ter ser.

A desconcentração humana
desvinculada
reivindicando
invectivando
investida
de obcenos planos.

A polética do doutor Brito
broca infinda
brotável
mas ainda antibrítea.

As cinzas desta fala
no fim de tua leitura.
O fogo dessa bobagem
frigindo esta amargura.

As lavras dos meus dentes
incensando essa indigência
pífia, mas viva
e indevidamente chamada poesia.



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