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Notícia
Data 06/set/1999

Sim. Era ele mesmo. Às ordens. Para mim? Estranhou o volumoso da correspondência. A mando de quem? O carteiro não sabia. Como, não há remetente? Não havia. Isso era legal, o Correio admitia tal procedimento?

O carteiro pediu-lhe o obséquio da pressa. Havia ainda muito por fazer com apenas meio período. Era sábado.

Quem lhe teria remetido aquilo? Um pacote retangular, leve. Parecia vazio, acondicionando nada. Pô-lo sobre a mesa de centro da sala. Invólucro de papelão feito a fita crepe. Precisava de uma tesoura. Não a sabia, porém. E a mulher não estava em casa. Tampouco ninguém. A faca de pão substituiria a tesoura a contento.

Entanto, faca já em punho, teve um leve tremor. Inimigos não faltam. E vários casos havia a respeito. Cartas-bomba cuja enganosa subscrição conduziam o destinatário ao assassínio. Afinal, nada encomendara por correspondência. Aliás, nunca se valera disto. Vida pacata. Parcas economias controladas. O Correio restringia-se para as cartas.

Então, mais o medo crescera. Que se lembrasse, não possuía inimigos declarados. Vida pacata. De casa para o trabalho. Do trabalho para casa. Discussões mais acaloradas entre companheiros, apenas quando o papo descambava para futebol. Aí engrossava a voz. Discorria a respeito de tudo que desse tema fosse abordado. Aficionado do esporte preferência nacional e corintiano.

De casa para o trabalho, demorava-se, algumas vezes, num boteco de corintiano. Ali, o pessoal do truco, da bocha e do bilhar, quase todos, eram corintianos. Então as divergências futebolísticas, regadas a cachaça e cerveja, recaíam na preferência de jogadores. Discussões soltas, descomprometidas. Não havia, pois, razões para temer inimigos.

Mas a absoluta falta de justificativa para o recebimento do pacote e a incógnita de seu remetente impediam-no de abri-lo. Pensou desfazer-se dele. Antes mesmo que o pessoal de casa chegasse. Mas também temeu pelos outros. E a irresolução deu tempo à chegada dos de casa, logo inteirados de tudo. O filho estudante de advocacia se propôs a contatar dois amigos entendidos do caso.

Longas horas depois de rigoroso ritual, a caixa foi aberta. Sem estouros. Não portava nenhuma bomba. E estaria absolutamente vazia, não fosse um cartão branco quase do tamanho dela ali contendo alguns dizeres. Ele tomou do cartão que lhe apresentava em letras maiúsculas e multicoloridas a frase:

ALIVIE-SE, CARA-PÁLIDA, FUI EU QUE MORRI.

E, por alguns segundos, ele, cara pálida, a fitar as caras interrogativas esperando e a sua perplexidade ante aquela frase tão enigmática quanto o invólucro que a contivera.



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