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As Vozes
Data 16/ago/1999

Vozes veladas, veludosas vozes vagam nos velhos vórtices velozes percutindo a voz poeta abarcando o Espaço. Signos desse cosmo , por certo. Tudo é voz. O Todo se sabe em voz.

Astros vibráteis vão sendo eternamente esse assombroso universo silenciosamente vociferando. Assombroso, quanto mais revelado.

As vozes do homem. E o Verbo se fez voz no meio de nós. A máscula voz do pai. Voz a modular-se a cada ocasião. Entonação áspera nas reprimendas. Afetivas para as orientações, para as bênçãos: Deus te abençoe, meu filho. Voz entoativa nas suas canções de ninar. Altissonante, vindo da cozinha quando é ainda manhãzinha. Fresca e crepitosa como o pão para o café. Atravessando as paredes e nos apanhando na cama. Depois, a voz carregada do pai enunciando-se como a última.

As vozes da mulher. Nada há mais. A voz da mãe. Desfeita em tom e linguagem infantil a tratar com sua venerada e eterna criança. Há nenhuma outra que minta tanto ao externar braveza. Voz maior de acalanto: dorme, meu filhinho, dorme, que a Cuca vem pegar, papai foi pra roça, a mamãe já vem já. Voz advogada, mesmo nas causas impossíveis. Voz velada, veludosa voz. Voz para todo o sempre viva ao filho, ainda quando já silenciada para sempre.

A voz de amor. Maviosa. Sutil. Terna. Carinhosa. Arrebatadora. Áspera. Dengosa. Ferina. Carente. Subjugante. Ambígua. Vibrátil. Desconcertante. Voz polifônica maior.

As muitas outras sígnicas vozes. As vozes dos que não têm voz. Voz dos perseguidos e injustiçados. Voz dos desempregados. Voz dos humilhados. Voz monológica e desvairada dos mendigos. Voz dos que clamam e não têm reverso. Voz da prepotência anulando vozes. Voz de comando. Voz de mando. Voz de prisão. Voz de clemência. Voz de misericórdia. Voz de perdão. Vozes de não. Vozes de sim. Vozes tomadas de mim. Vozes tomadas de tu. Vozes tomadas de nós. Vozes tomadas de vós. A multifacetada voz de Deus. A ressentida e cavernosa voz do Planeta. As muitas vozes animais em vão a nos dizer suas dores, súplicas e prazeres. As vozes súplices da natureza.

Vozes: infinda volatização sígnica se incidindo em seu eterno refazer-se ---- esse universo-voz.



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