Os andrajos de um homem são seus despojos antes que a morte. Fluem de suas bocas, não de suas roupas. Escaldam seu corpo desde sua estátua.
Os andrajos de um homem inscrevem sua sina em sarjas em tarjas, saldo de seus ul- trajes. Esborrifam toscas serpentinas de um carnaval insepulto.
Os andrajos de um homem em guarda sempre espreitam para o instante do decisivo assalto. Estocam saldos, estorquem.
Os andrajos de um homem são garras como as de dragas cegas Espargem dádivas danosas.
Os andrajos de um homem são os estampidos dos seus revólveres, fala avessa a falas. Antidialógica sua natureza.
Os andrajos de um homem têm pedras preciosas, peles em pêlos viscosos que abafam o escuro de sua voz: andrajo tornado homem e habitou entre nós.