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Andrajo de um homem
Data 09/ago/1999

Os andrajos de um homem
são seus despojos
antes que a morte.
Fluem de suas bocas,
não de suas roupas.
Escaldam seu corpo
desde sua estátua.

Os andrajos de um homem
inscrevem sua sina
em sarjas em tarjas,
saldo de seus ul-
trajes.
Esborrifam toscas
serpentinas de um carnaval
insepulto.

Os andrajos de um homem
em guarda sempre
espreitam para o instante
do decisivo assalto.
Estocam saldos,
estorquem.

Os andrajos de um homem
são garras
como as de dragas cegas
Espargem dádivas
danosas.

Os andrajos de um homem
são os estampidos
dos seus revólveres,
fala avessa
a falas.
Antidialógica sua natureza.

Os andrajos de um homem
têm pedras preciosas,
peles em pêlos viscosos
que abafam o escuro de sua voz:
andrajo tornado homem
e habitou entre nós.



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