A alegre irreverência do Edilson.
A ambigüidade de Fernando Henrique.
A sanha do FMI.
As águas de março do Tom Jobim.
Os escrachos da Derci.
As peraltices desses guris.
As faltas dos amigos.
As gentilezas dos inimigos.
Essa ambígua condição de vida.
A empolgação da velhice.
Teu pescoço na ânsia dos meus caninos.
A intolerância de alguns vizinhos.
A obscureza dos nossos desígnios.
A surpresa de repentino vazio.
As sutilezas dos teus carinhos.
A lembrança do futebol de Garrincha.
Os sussurros de amor nos ouvidos.
Essa ilusão de democracia.
A sempre invisível força da CIA.
Os imprevistos que nos reservam os dias.
A brasileira maior folia.
A súbita nudez na esquina.
A mendicância em que todos cospem em cima. A viva flor
da condição assassina.
A infinda hegemonia da política do sim.
O revôo dos pássaros pelos jardins.
A política da pura desídia.
Os desmandos da oligárquica canalhice.
A barrulice dos botequins.
O gosto do teu batom ruge-carmim.
A atávica dor dos oprimidos.
A impassível apatia dos ricos.
A atávica força dos livros.
A proliferação dos links.
A persuasão dos bandidos.
A riqueza descabelada dos pelintras.
A instigante doçura dos teus gritos.
A perplexidade dos nossos filhos.
O tesão que revolves no meu íntimo.
O nosso inconformismo ante o infinito.
A rigorosa força do criativo,
da impulsiva vontade de pesquisa,
induzindo essa busca do nosso fim sem fim.