Viam-na
mal. Detida em si: Matilde. Mulher mal adolescida já
jovem madurada à mulher. Estrábica em olhares
agudos de ternura rebrilhando pelos vidros espessos.
Sabida
em leituras múltiplas. Cedo tomara-as por gosto transmitido
---- um certo professor (corria subversão sobre ele.
Excitação maior de sua sede). Ler! Milagre em
seu caminho. Fome insaciável. Aprendera a voracidade
de ler. Comer Graciliano. Comer Rachel de Queirós.
Comer Zé Lins do Rego. Comer. Adonias Filho. Comer
Autran Dourado. Comer Vinícius de Moraes. Comer Cecília
Meireles. Comer Fernando Pessoa. Turbilhão de letras
no espaço-encéfalo de primária vilã.
Antropófoga Matilde envesgada em devoração.
O
destôo de Matilde. Varava a rua mestra cavalgando feito
macho. Em canto de balcão gostava de deglutir sua cerveja.
Forasteiro logo sabia de não se atrever.
Etiquetar
seus atos agastava os formadores de opinião. Matilde
macho sobre o cavalo. Em baile de clube incipiente surdia
uma formosura explícita de mulher sensual tomando os
olhares pasmos ---- Matilde de repente.
Cuidados
a gado de leite, a cavalos. A ordenha matinal. A roça
da época. Orgulho surdo do velho. Essa filha de alegria
e lágrimas suas já sabia melhor do sítio
que ele.
Doía-lhe
os ditos. Mentirosamente a ele só informavam elogios.
As desditas lhe chegavam, entanto.
O
lugar espetado no baixo-ponto extremo do mapa regia-se a esteriótipos
de vida. Matilde em ação era puro assombro.
Incômodo. O lugar logo bateu-lhe o carimbo: a Doida.
As
leituras muitas madrugada sem falha, o velho mesmo soprava.
Leitura
muita endoida, a fala-dogma corrente no lugar.
O
professor morto aparecido em estado bárbaro: estupefação.
Matilde
nua leitosa sumindo a galope pela rua mestra estonteando com
sua beleza.