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Sobressaltos
Data 24/abr/1999

Matilde ---- tudo estúrdio fora.

Viam-na mal. Detida em si: Matilde. Mulher mal adolescida já jovem madurada à mulher. Estrábica em olhares agudos de ternura rebrilhando pelos vidros espessos.

Sabida em leituras múltiplas. Cedo tomara-as por gosto transmitido ---- um certo professor (corria subversão sobre ele. Excitação maior de sua sede). Ler! Milagre em seu caminho. Fome insaciável. Aprendera a voracidade de ler. Comer Graciliano. Comer Rachel de Queirós. Comer Zé Lins do Rego. Comer. Adonias Filho. Comer Autran Dourado. Comer Vinícius de Moraes. Comer Cecília Meireles. Comer Fernando Pessoa. Turbilhão de letras no espaço-encéfalo de primária vilã. Antropófoga Matilde envesgada em devoração.

O destôo de Matilde. Varava a rua mestra cavalgando feito macho. Em canto de balcão gostava de deglutir sua cerveja. Forasteiro logo sabia de não se atrever.

Etiquetar seus atos agastava os formadores de opinião. Matilde macho sobre o cavalo. Em baile de clube incipiente surdia uma formosura explícita de mulher sensual tomando os olhares pasmos ---- Matilde de repente.

Cuidados a gado de leite, a cavalos. A ordenha matinal. A roça da época. Orgulho surdo do velho. Essa filha de alegria e lágrimas suas já sabia melhor do sítio que ele.

Doía-lhe os ditos. Mentirosamente a ele só informavam elogios. As desditas lhe chegavam, entanto.

O lugar espetado no baixo-ponto extremo do mapa regia-se a esteriótipos de vida. Matilde em ação era puro assombro. Incômodo. O lugar logo bateu-lhe o carimbo: a Doida.

As leituras muitas madrugada sem falha, o velho mesmo soprava.

Leitura muita endoida, a fala-dogma corrente no lugar.

O professor morto aparecido em estado bárbaro: estupefação.

Matilde nua leitosa sumindo a galope pela rua mestra estonteando com sua beleza.

Matilde nunca mais.



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