Há
muito que está em antigo adágio popular: quem
casa quer casa.. Mesmo sendo a contemporaneidade uma época
em que a mulher dela se ausenta em grande parte do dia, a
casa marca-a . Dela é a casa. Ocupa-a por direito,
sendo dela a sua dona. E com ela a relação extrapola
em muito a mera condição de posse. Rege-a .
Dota-a com seus arranjos, adornos, não importa com
que móvel, da condição de lar. É,
sim, a senhora dali, por mínimo ainda que seja, ao
fazer da casa uma serviçal do lar. Nela se evola. A
casa trescala a lavanda da sua dona. Empregna-se de sua dádiva
e sensualidade. Um aroma de mãe e mulher.
A
casa é a extensão do homem. Não há
lugar melhor no mundo. É o seu território livre.
Nela estando, fica dependurado todo um estado de ser lá
fora. A casa é a sua ilha. Em tudo dela está
ele. A despensa com suas provisões. A cozinha onde
o fogão, onde o refrigerador, a mesa, o armário;
onde postas as cadeiras. Em tudo ele é. A sala de estar.
O lugar do telefone, do televisor, do som. A específica
forma de ser dos aposentos. Do banheiro.
A
decoração tem a sua cara. Indicia sua posição
ante a vida, sua ideologia. Nela, ele se entremostra já
da fachada. A casa é todo ele e sua guarda.
Sendo
ela o lugar da família, pode-se admitir que ali se
aprende o indivíduo e o coletivo. A casa é então
uma ilha-condomínio. É um dever/direito de cada
um dos pais e filhos. Mas deles um lugar comum. Dá-se
nela em contínuo o educar-se para o indivíduo
e o educar-se para o coletivo.
Em
casa alheia, por mais que lhe ensejem comodidade, o homem
se sente intruso e exposto à intrusão. Se recolhe.
Se encolhe. Estranha e se sente estranhado.
Sem
casa o homem é um nômade. Em casa é completitude.
Fora, se sente como um alguém a quem lhe falta. A casa
é o eterno lugar de retorno. Perambula-se, viaja-se,
todavia a casa torna-se. A casa é conchego, arreglo.
Lugar de refazimento.
Casa
é um homem e uma mulher com seus filhos e bichos.