Quanto
à irmã Dorothy Stang, de certo o mote que se lhe
deu para sua morte a mão armada, para que finalmente
cedesse à sede de crime e possessão, foi tornar
cidadã (tristeza!) brasileira: coisa mais vã.
Pronto. Estava pronta para ser exportada para a pátria
dos mortos. Que se dera para mulher-freira subversiva metida
a pastorear gente contra agronegócios tão nobres,
sob a bandeira de que os mesmos às suas exclusas ovelhas
eram acres.
A petulante irmãzinha daqueles indigentes invasores de
terras de ingentes apropriadores, senhores; a agente da Igreja
esquerdista agitando a escória atrasada e ladra!
Pagou pelo pouco caso que sustentara, mesmo que a história
amazônica recente lhe informasse o destino de sujeitos
que se deram a tais propósitos.
Idos os momentos de cenas de ira e indignação;
de lamentações induzidas por sentimentos de profunda
dor e consternação de impotência; de acusação
ao governo federal por omissão e descaso, tudo passaria.
Os assassinos ficariam acobertados pela enorme e enigmática
entranha da mata.
Bem sabia a agitadora. Até por isso convencera os amigos
a firmar compromisso para o seu sepultamento (quando assassinada!)
de seu corpo morto. Procedimento decorrido das veementes ameaças.
Fatos repetitivos como a sucessividade entre o dia e a noite.
Tantos que sem conta. Perdidos no esquecimento urdido pela exigência
de constantes e múltiplas atividades pela sobrevivência
que a vida impõe.
Sujeita feita de pura teimosia. Por que abdicar de sua faustosa
vida norte-americana: primeiríssimo mundo rico e poderoso,
para vir meter-se onde não fora chamada, onde não
lhe dizia respeito? Lugar completamente avesso ao de sua origem.
Isso de opção pelos pobres e oprimidos é
coisa de estúpidos e anacrônicos bolchevistas não
ainda emendados. Não obstante a completa ruína
do socialismo marxista, como o fim da ex-união soviética;
como o capitalismo já mandando na economia da China do
ex-camarada Mao; como o muro de Berlim arrasado.
Ao sertão amazônico não cabe a gringo nenhum
vir dar a seringueiros e castanheiros palpites e idéias
infelizes de ocupação de terras que estão
sob o domínio de gente de posses. Que, portanto, têm
recursos e formas de bem explorá-las. O homem nativo
daqui é bugre pronto apenas a trabalhar nos eitos.
Madre Maria? Stang! Desafiando a ira de brasileiros da gema
amazônica! Pondo banca de questionadora destemida da vida
alheia. Ora, estava pedindo pedestal! Uma glória como
a daquele outro traste. Todavia, Chico Mendes, sim, criaria
mesmo toda essa história viva em torno de si. Era homem
dali. Sangue da mata amazônica. Sabia a palmo do espaço
de que era filho. É certo que muito mais perigoso. Homem-líder
daquele povo. Vivia como eles. Um pobre. Morando num quase-casebre.
Era o que pregava. Perigosíssimo, pois! Matá-lo
foi muito mais difícil. E não eram à toa
os muitos medos que demoraram a façanha de mandá-lo
ir defender seringueiros e castanheiros no inferno! Ninguém
queria pôr o guizo em seu pescoço.
Mas quanto a essa aí... Estupidez tanto tempo. Tudo logo
acabaria. Esses meninos de tiro-de-guerra do exército
para aqui deslocados estão mesmo completamente deslocados.
Bagres fora d’água. Não sabem nem mesmo
de que se compõe a mata.
Aos teimosos o recado está dado. Aqui mandamos. Como
no Rio manda o tráfico.