Súbito,
razões atmosféricas, ou cósmicas, ambas
que sejam, levam a Terra àquelas fúrias insanas,
ante as quais os paradeuses (os homens) remoem seu inconformismo:
sua enorme impotência, por mais que tenha feito, por mais
que faz e fará. Tornados. Ciclones. Trombas d`água.
Vendavais. Convulsões vulcânicas. Tsunamis. Arrasadores
todos.
Fenômenos tais nada consideram, quando se deflagram. Consideram
é expressão de linguagem humana. A natureza não
cogita. Logo é em si mesma fatos. E em fatos não
cabem afetos. Não cabem conceitos. Cabe o imponderável.
Como admitir um tsunami às vésperas do Natal?
E acontecer justamente em regiões da Terra cuja concentração
da miséria prepondera?
A Natureza se fez. A Natureza se refaz. A Natureza se construiu,
se desconstrói, se reconstrói. A Natureza é
mutável. Embora pela aparência não o seja.
Certo, sua independência em relação aos
seus seres talvez não seja como sua indiferença.
Pois as intervenções dos homens imputam-lhe ínfimas
modificações, quando comparadas aos tufões,
às erupções vulcânicas vultosas,
aos tsunamis.
Entretanto há um conjunto de reações dela
catalogado pelos homens ante às intervenções
contínuas, devidas ou indevidas que lhe são feitas.
Inumeráveis são. O qual consta ser desde o destrambelho
climático, a desertificação e esterilização
de solos às mutações genéticas e
o desaparecimento de espécies.
Então preservar a natureza é o lema consensual
que o homem se exige. Conquanto cumpra-o minimamente. Conservar
a natureza tal qual. Que é aos olhos humanos benigna,
ainda que bruta. E, quando em mudanças bruscas e descomunais,
estúpida. Matriparricídia.
Por princípios: nunca desmatar, cortar árvores;
nunca poluir rios, mares; nunca aprisionar ou matar animais
(“preservar a fauna e a flora”); incentivar a reciclagem
do lixo; incutir o amor às plantas, aos bichos; incutir
o respeito à vida humana, animal, vegetal, mineral; instruir
quanto às múltiplas relações de
elementos, procedimentos, situações formadoras
da cadeia de poluência.
Deu-se que a instituição em que atua como dirigente
conquistou uma melhoria há muito pretendida. Tratava-se
de um bem coletivo da maior importância, à vista
da finalidade a que se destina.
A cobertura do imóvel exigia, se não a extirpação,
pelo menos uma amputação de parte considerável
de um ipê decano. Algo, de chofre, inadmissível.
Em se tratando de arborização, era aquele ipê
a fina árvore da instituição. Gerações
de estudantes viram-no crescer e florir amarelo; florir amarelo
e crescer até seu máximo tamanho. Depois, flores
amarelas de inverno substituindo a sombra verdade de verão.
Anos. Décadas assim. Tornou-se um ipê de todos.
Um verdadeiro ente de estimação. Como um cão.
Como um gato. Como um canário. Um papagaio. Vê-lo
desfigurado, nunca. Quanto mais extirpado.
Todavia, assim sendo, a melhoria era inviável. E sua
viabilização, posta em ameaça. Ficara entre
perplexo e irado. Via-se ante a antiga sina: destruir para construir.
Não podia conceder.
Então entrou o outro procedimento antigo: consensualizar
para dividir. E o antigo, mas nada decrépito ipê
teve de ver decepados alguns de seus vigorosos membros.
Então pensou: console-se, meu caro, está mutilado,
todavia vivo. E sua capacidade de regeneração
é uma verdíssima esperança.