Lera
e ouvira. Mais ouvira do que lera que muitos dos “impérios”
empresariais ou financeiros vieram do nada. No princípio,
eram simples atividades com que o cara defendia a vida sua e
da família com dificuldade. Mas determinação,
empenho, organização, economia e modestos e progressivos
investimentos.
Uns poucos exemplares do mito do trabalho dedicado como gerador
de riqueza cumulativa e transformadora. A irreversível
impulsão capitalista. Ampliar. Aprimorar. Atualizar.
Se não, sucumbir. Que atrás vem gente!
Coisa da lei de mercado. Ser ou ser. Nada que não seja
bens de capital é a solução. Nada resolve.
Amor ou ódio; consternação ou piedade.
O capital não é provido de neurônios afeitos
a captar sensações dessa natureza.
Todavia, tem-se nesse tipo de empreendimento o desenvolvimentismo
plausível. Que enaltece seus precursores e os que prosseguem
mantendo-se na mesma linha de conduta, primando pelos ideais
filosófico-capitalistas dos que tudo começaram.
Crescer com dignidade. Enriquecer-se pelo trabalho incansável.
Auferir o lucro honesto. Advindo de operações
e transações financeiras limpas, claras, aprovadas
e consagradas pelas leis do mercado. Dar aos trabalhadores,
aos operários da empresa toda a assistência e tratamento
que os fizessem sentir-se seguros, confortados, satisfeitos
em sua condição de indivíduo bem empregado,
com salário condizente e compatível.
Tratava-se de algo que dentre outras coisas dava tranqüilidade.
Paz de consciência. E sensação de engrandecimento.
Principalmente ao se levar em conta o que vinha sendo exposto
cada vez mais e sem término com o advento e estabilização
do sistema democrático de governo.
Progressivos casos de altos negócios transacionados em
ilicitudes inquestionáveis. Manipulações
escusas de dinheiro e bens públicos em favorecimentos
particulares, gerando enriquecimentos rápidos onde a
ausência de trabalho é a maior evidência.
Instituições financeiras com seus lucros vertiginosos
expandindo seus domínios. Ou tendo socorro governamental
aos seus fracassos operacionais.
Assim vistos e comparados, os resultados de seus sãos
negócios eram exitosos. O que lhe dava a convicção
de empresário justo e contributivo.
Então, não tinha dúvida: a estupefação
extrapolaria o terreno de âmbito familiar. Ganharia várias
outras esferas sociais. Que não quererão admitir
que um empresário de sua envergadura tivesse motivos
para tal loucura. Sucessos. Negócios em expansão
com êxitos evidentes. Filhos saudáveis e de bons
hábitos e procedimentos. Não havia o mínimo
rumor de quaisquer situações que desabonassem
quem fosse. Empresa com suas contas em dia. Os salários
de seus empregados. Finar-se assim um cidadão desse como
um Getúlio Vargas sem nenhuma das razões daquele?
Amargurava-o que fosse assim acontecer. Todavia, sabia muito
bem que tudo também acabaria assim se esgotando, pois
que a causa daquele seu ato teria ido com ele.