O
primogênito é sempre o recomeço da nova
e inédita aventura humana a se viver. O primo filho.
O primo neto. Herói de todos os atos e fatos. Bandido
adorabilíssimo. Concessão é a sua palavra.
E a sucessividade dos acontecimentos desta história é
sem tempo. Quanto mais evolui, mais sedutora. Tanto que quando
acontece um Paulo, em fase de chorão (com pinta de parrudo),
nada ainda afeta. O primogênito continua sendo a festa.
Segue a história, enquanto ao segundo se dedicam os gracejos,
cuidados e carinhos passageiros. Paulo é afeito a puro
peito de mãe. Pouco se importa com o que se dá
a sua volta. Que seja, embora, uma história bonita e
bem sucedida, a verdade é que conchego e seio materno
são o seu negócio.
E quanto a isso é um decidido convicto. Sem meias medidas,
exige o que lhe é de justiça. E com autoridade
álacre, mas incisiva. E, se preciso, protesta, grita.
Todavia, sem que mais se espere, Paulo se desprega do seio,
desce do colo e se entrega ao passeio.
É certo que todo sujeito cresce, se desenvolve à
medida que descobre, domina seu meio e nele se adapta. Então
é esta a trilha geral que a Paulo cabe palmilhar.
Cada qual com sua sina. A do primogênito, por razões
bastante conhecidas, se dava, então, em absoluta primazia.
Livres vias, mínimos impeditivos. Que esses são
os imediatos dotes daquele, por primeiro, por todos esperado.
Decerto o meio muito demarcado pelo outro, impôs a Paulo
um acervo de empecilhos nada franqueadores, como o foram com
seu irmão. Era, de certo modo, seu caminho de Damasco.
Todavia, caminho próprio ao gênio daquele cristão
novo: teimar contra os desafios. Impetuoso brigão pelas
vontades de sua crença.
Impedi-lo demanda trabalho quase sempre parco, que Paulo é
um cara determinado. Nada lhe passa batido. Tudo que lhe vai
por perto é por ele batizado.
Não parece que a ele importa a primogenitude como houve
na História. Paulo tanto tem de Esaú quanto de
Jacó. Todavia, a grande astúcia deste não
faltou nem um pouco ao primogênito. Pedro rápido
aprendeu a lidar com o mandonismo de Paulo. E tampouco são
gêmeos, como os da História e os de Machado de
Assis.
Paulo não pede, busca. Não se importa, se o que
há lhe é ou não lhe é de direito.
Corre em busca do que quer, do por que briga. Puro temperamento
de quem não se deixa por menos.
Assim é, porém, quando posto em estorvo. Caso
não, outra é a estampa. Cara alegre de um João
se faz de bobo. Riso súbito para que o outro não
interfira no que lhe é a boa. Contumaz provocador que
bota a gente a rir à toa.
Criatura capciosa, com quem a cordura de Pedro nunca é
absoluta, pois sabe o quanto ele se infiltra e se abasta, e
se abanca. Paulo não espera que lhe assinalem, simplesmente
avança.
Ave, Paulo. Novo cristão de bem quista aliança,
bastião segundo de um povo que se preserva na sua entrega
que integra.