Home
|
Conheça Tito Damazo
|
Textos
|
Contato
|



Ganhar o fracasso com o suor do seu rosto
Data 23/nov/2001

Ganhar o pão com o suor do seu rosto. Então fazer-se. Crescer. Formar-se. Conquistar seu trabalho. Com suas mãos. Com sua inteligência. Com sua competência. Com seus estudos.

Os estudos. A grande saída aos desafortunados. Os desprovidos de ascendência fausta. Conquistar um espaço na escola. Estudar. Estudar. Reprovação conduzia ao fracasso. À desprofissão. A salário inferiorizado. A sujeito sem carreira.

Ter um ofício. Ter uma profissão. Resultantes da dedicação de aprendiz. Ser carpinteiro. Ser mecânico. Ser bancário. Coisa de poucos. Muitos poucos bem-sucediam-se. Conquanto fossem proclamados como a boa saída a despossuídos. Todavia, a grande maioria ficava operário de médio-baixo e baixo salários.

Mas a expansão da escola realentou os sonhos. Bom ter um ofício. Aprender ofício. Dizia-se aprendiz de. Torneiro mecânico. Marceneiro. Mecânico de automóvel. De caminhão. De cartório. De contabilidade. De seleiro. De sapateiro. De farmacêutico. Fazer carreira em banco. Tudo andando bem, formava-se ali o profissional prático. O oficial. Tão úteis. Prestativos. Como qualquer raro diplomado de anel em dedo.

Sim. Era praxe. Moda. Cada profissão portava anel afim. Caro artefato. Contudo, cobiçado. Prestações módicas. Preço crescido. Todavia, se comprava a distinção ostensiva. Na formatura, traje de gala e anel. As normalistas com seu anel. Os contabilistas com seu anel. Os bacharéis de direito com seu anel (anel de doutor).

Sim. Ser estudado era grãfino. Pois quem podia estudava. Significa: os abastados. Os chamados ricos. Esses podiam. Os desabastados. Os chamados pobres, não. A esses os serviços. Os empregos. A melhora, perspectiva remota. O ofício, talvez. Sina de meu filho será melhor. Tá aprendendo ofício de.

Entretanto, vida é desejos. Viver é sonhar para mais. A inconformidade é o seu motor. Parece que se dar como pronto é ter se acabado. Pois então. Os pobres deram de almejar os estudos. Os estudos eram a saída. Grassou a moda de tudo pelos estudos dos filhos. A pão e banana. Conquanto eles estudem. Mais que ofício. O diploma. A profissão. Filho doutor. Festa pai d'égua. Filha professora. A classe média se espaçando. A escola, o trampolim.

Atingi-la, porém, eram sacrifícios. A muitos, vãos. Fracassos. Meta ainda aos mais melhorados. Deles, ainda assim, vários fracassavam a meio. Entrar, uma etapa apenas vencida. Que vitória ainda se fazia longe. Vitória eram beca e anel. Antes, muito antes, obter aprovação. Ano a ano. Estudar. E estudar. Sabedoria. Conhecimentos. Informações. Na ponta da língua. Estavam em livros. E livros. Em materias. E materiais. Raros. Caros. Pedras outras no meio do caminho. Nas quais se tropeçavam muitos. Ao anel e beca chegavam poucos.

Aí se deu que a escola se massificou. Pronto. Ilusões acabadas. Anel desapareceu. Beca tornou-se literalmente traje de festa. A classe média tratou de desmisturar-se. A massa ficou com o farelo. À massa a escola esfarinhada. Escola sem mais nada. Escola dos sem-nada. Os abastados e remediados saltaram. Enquanto os destituídos chegavam.

Desenganados. De novo. E a escola se lhes tornou insuportável. Não dava profissão. Não dava empregos. Legião de desempregados diplomados. Desiludida. E sem saída. A massa então ainda vai à escola. E nela projeta toda a sua raiva.

E o Estado, seu suserano e doador, ainda por cima passou a estigmatizá-la de incompetente. Instituiu a avaliação institucional. Com que demonstra à massa o quanto ela é incapaz aos estudos. Á aprendizagem dos conhecimentos sistematizados. Logo, que se conforme com suas migalhas.



Resolução mínima de 800x600 © Copyright 2003, Poetagem - www.poetagem.com.br

Site Produzido por Espaço Cibernético Espaço Cibernético