Um fogo deslumbrante. Olha que já vi
algumas. Cadentes estrelas. Todas de formas desiguais. Nenhuma
comparada, porém. Certo. Nenhuma semelhante ao estereótipo
despencando para a manjedoura. Todas mais bonitas. Mais criativas.
Inimitáveis. Tão-somente as estereotipadas são
imitáveis. As que se viu, nunca mais. A singularidade
de cada uma.
Isso fiquei matutando. Também as estrelas
cadentes não se imitam. Não são as mesmas.
Não têm queda padronizada. Repassei as vividas.
Um esforço. Mas admiti a absoluta individualidade.
Cada uma com seu traço. Sua luz. Seu trajeto. Sua dimensão.
Sua velocidade. Sua fugacidade inebriante. Sua mágica
imagem suscitando. Desejos. Devaneios. Lembranças.
Há a cultura do pedido com fervor. Três pedidos
com fé. A estrela cadente é um dos nossos aladins.
Súbito. Nalgum lugar estamos. A lâmpada
pinta no céu. O gigantesco mágico irrompe. Na
sua figuração encantatória. E na sua
mudez loquaz, nos manda pedir. No íntimo, pequeninos
mortais, cedemos. Tão precisados estamos. Há
muito. A doença impossível. O emprego realizador.
O sucesso dos filhos. A velhice ameaçadora. A aposentadoria
feliz. As conquistas propugnadas. Trabalhistas. Salariais.
Amorosas. Ah! estrela cadente. Gênio dessa lâmpada
cerúlea. Ilumine o meu amor. Ascenda minhas posses.
Proteja minha família. (Enterneça o coração
humano. Indigne e ambicione os indiferentes. Crave o mal de
paz e justiça na mente humana.) Talvez, mesmos os astrônomos
não deixem de fazer seus pedidos. São também
alma e emoção. Há por detrás do
engenho científico explicável, o sempre inexplicável.
São objetos constantes do surpreendente. Continuam
com suas eurecas! Custa nada fazer uma fezinha num deslocamento
astral. Pedir ao assombroso gênio do universo nunca
cessar de lhes permitir os desmistérios.
Os basbaques poetas vivemos tropeçando
nelas. Ver e ouvir estrelas, uma das sinas nossas. Então.
Olhando a cor da lua. O quase sumiço de constelação
lá nos confins da escuridão. Pontilhadinhos.
O esplendor de Vênus. O brilho de Aldebarã. A
inconstância do Cruzeiro do Sul. A rebeldia das Três
Marias. O magnífico luzeiro pendendo de teto-céu
sem fim. E uma estrela cai aos olhos nossos, súbito.
Fugaz. Fátuo-fogo aceso por passos de estrela. Facho
de luz de estrela indômita. Pirilampos sidéreos
ao léu. Entrevistas por confeccionadores de utopia.
. A estrela que cai contrai a si olhos irriquietos. Olhos
de meninos em busca de seu destino. Incompreesível
destino. Às vezes suscitado nos confins pela súbita
luz esvanescente. Lâmpadas do Aladim do universo dando-se
aos seus caprichos.
Vi uma estrela cadente nunca vista. Espantosamente
linda. Amplo fogo. Deslizou mansa. Longamente. Feito cometa.
Roda-gigante fosforescente no espaço. Fiquei pasmo.
Maravilhado.
Caminhava. Vendo e ouvindo estrelas. Flertando
com o fiapo de lua minguada. Ia comigo carregando a aparição.
Quando de assalto pegou-me o fogo mortífero do World
Trade Center. Eis, o homem.