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Eis, o homem
Data 14/out/2001

Um fogo deslumbrante. Olha que já vi algumas. Cadentes estrelas. Todas de formas desiguais. Nenhuma comparada, porém. Certo. Nenhuma semelhante ao estereótipo despencando para a manjedoura. Todas mais bonitas. Mais criativas. Inimitáveis. Tão-somente as estereotipadas são imitáveis. As que se viu, nunca mais. A singularidade de cada uma.

Isso fiquei matutando. Também as estrelas cadentes não se imitam. Não são as mesmas. Não têm queda padronizada. Repassei as vividas. Um esforço. Mas admiti a absoluta individualidade. Cada uma com seu traço. Sua luz. Seu trajeto. Sua dimensão. Sua velocidade. Sua fugacidade inebriante. Sua mágica imagem suscitando. Desejos. Devaneios. Lembranças. Há a cultura do pedido com fervor. Três pedidos com fé. A estrela cadente é um dos nossos aladins.

Súbito. Nalgum lugar estamos. A lâmpada pinta no céu. O gigantesco mágico irrompe. Na sua figuração encantatória. E na sua mudez loquaz, nos manda pedir. No íntimo, pequeninos mortais, cedemos. Tão precisados estamos. Há muito. A doença impossível. O emprego realizador. O sucesso dos filhos. A velhice ameaçadora. A aposentadoria feliz. As conquistas propugnadas. Trabalhistas. Salariais. Amorosas. Ah! estrela cadente. Gênio dessa lâmpada cerúlea. Ilumine o meu amor. Ascenda minhas posses. Proteja minha família. (Enterneça o coração humano. Indigne e ambicione os indiferentes. Crave o mal de paz e justiça na mente humana.) Talvez, mesmos os astrônomos não deixem de fazer seus pedidos. São também alma e emoção. Há por detrás do engenho científico explicável, o sempre inexplicável. São objetos constantes do surpreendente. Continuam com suas eurecas! Custa nada fazer uma fezinha num deslocamento astral. Pedir ao assombroso gênio do universo nunca cessar de lhes permitir os desmistérios.

Os basbaques poetas vivemos tropeçando nelas. Ver e ouvir estrelas, uma das sinas nossas. Então. Olhando a cor da lua. O quase sumiço de constelação lá nos confins da escuridão. Pontilhadinhos. O esplendor de Vênus. O brilho de Aldebarã. A inconstância do Cruzeiro do Sul. A rebeldia das Três Marias. O magnífico luzeiro pendendo de teto-céu sem fim. E uma estrela cai aos olhos nossos, súbito. Fugaz. Fátuo-fogo aceso por passos de estrela. Facho de luz de estrela indômita. Pirilampos sidéreos ao léu. Entrevistas por confeccionadores de utopia. . A estrela que cai contrai a si olhos irriquietos. Olhos de meninos em busca de seu destino. Incompreesível destino. Às vezes suscitado nos confins pela súbita luz esvanescente. Lâmpadas do Aladim do universo dando-se aos seus caprichos.

Vi uma estrela cadente nunca vista. Espantosamente linda. Amplo fogo. Deslizou mansa. Longamente. Feito cometa. Roda-gigante fosforescente no espaço. Fiquei pasmo. Maravilhado.

Caminhava. Vendo e ouvindo estrelas. Flertando com o fiapo de lua minguada. Ia comigo carregando a aparição. Quando de assalto pegou-me o fogo mortífero do World Trade Center. Eis, o homem.



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