Aproximou-se. O bebedouro comprido. Cochos
justapostos. Água para o gado. Embora o rio ali perto.
Também as aves. Domésticas. E não. Ocasião
em que empoleiradas à beira do cocho para sua água.
Um punhadão delas. Pássaros. Patos. E os mais
galináceos de fazenda. Então, decerto, ela descobriu
o ninho. Comida a granel. Comida farta. Tratou de ir à
caça. Decerto de noite. Imiscuiu-se na água
do cocho. Se deixou ali. A manhã viria.
De castigo. Suspensão. Ele mais o João
marcaram bobeira. Três dias para vadiar pela fazenda.
Gostava. A quebra da rotina da escola. Longe daquele zumbido.
Gritarias. Broncas. Os muitos colegas. Um quer isso. Outro
outra coisa. Aquele se intromete. Aqueloutro vira e mexe.
Os professores com suas matérias.
Livre. Três dias para os seus pássaros.
Para os seus animais. Senhor de si. E de seu adorável
cão. A fazenda. A bagunça boa. Diferente da
escola. Os bois. Os cavalos. Pastam. Brincam. Se acarinham.
Um coça o outro. Não são brutos. Não
estragam as coisas. Ir olhar o rio. Enorme. Perigoso. Bonito.
As garças nas beiradas. Perto dos aguapés. Pescando
seus peixes.
Pacienciosamente. Uma predileção:
aquela árvore. Bonita! Conquanto morta. Triste isso.
Enorme. Contudo nenhuma folha. Nenhum verde. Enorme esqueleto.
Nas suas alturas pousam os urubus. Quando descansam. As garças.
As asas brancas. Também preferem o mais alto. Um quadro
desigual. E triste, que ela não vive. Mas, mesmo morta,
continua servindo aos outros. Se pudesse, ela ficaria linda.
Folhas. Flores. Como seriam seus frutos? Descobriu-a já
assim.
Nada sabia de seu antes. É certo. Nunca
perguntara. Talvez tivesse medo de perdê-la assim. Tinha
compaixão. Mas, em verdade, não a queria de
outro jeito.
De manhã e de tarde, o seu jacaré.
(Chamava-o Deolindo.) Ali se postava. Pronto para qualquer
bobeira de pássaro. Íntimos a seu modo. Quando
ele ressonava. Ficava raspando-lhe as costas. Exigente, o
cara. Se trocasse de vara, ele não deixava. Também
quando de olhos morteiros posicionado.Passeio de manhâzinha
com seu duque. Atirando macauba para duque trazer. Uma caiu
no cocho. Duque escorou-se na procura. Mas não entrou
no cocho para apanhá-la. Pôs-se a executar seu
latido a inimigos. Latido de perigo à vista. Foi ver.
A sucurizinha punha a língua. Foi uma luta legal. Filhote.
Contudo portava-se já em seu pra mais de metro. Meteu-a
num picuá. Levou-a pra escola.
A professora de Ciências apavorou. Menino!
Que vidro caberia aquilo? Falta do mínimo bom senso!
Não cobras assim!
Decidiu-se. A sucurizinha foi ser oferecida
ao zoológico. Ele e o veterinário. Exames. Ele
apontava peculiaridades que observara. Ela tinha uma pequena
quebradura que se regenerava. O veterinário confirmou.
Ela tinha uma cicatriz. Alguma dentada de animal não-ofídico.
O veterinário confirmara. Ela estava com fome. Fazia
tempo em jejum. O veterinário confirmou. Disse em casa,
não fora possível. Se não, saberia servir-lhe
uns bons ratos.
Praxes burocráticas de registro findas.
O veterinário quis um nome para a sucurizinha. Silêncios.
Hesitações. Depois, o menino decidiu: Celeste.
(Celeste era o nome da professora de Ciências.)