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Celeste
Data 30/set/2001

Aproximou-se. O bebedouro comprido. Cochos justapostos. Água para o gado. Embora o rio ali perto. Também as aves. Domésticas. E não. Ocasião em que empoleiradas à beira do cocho para sua água. Um punhadão delas. Pássaros. Patos. E os mais galináceos de fazenda. Então, decerto, ela descobriu o ninho. Comida a granel. Comida farta. Tratou de ir à caça. Decerto de noite. Imiscuiu-se na água do cocho. Se deixou ali. A manhã viria.

De castigo. Suspensão. Ele mais o João marcaram bobeira. Três dias para vadiar pela fazenda. Gostava. A quebra da rotina da escola. Longe daquele zumbido. Gritarias. Broncas. Os muitos colegas. Um quer isso. Outro outra coisa. Aquele se intromete. Aqueloutro vira e mexe. Os professores com suas matérias.

Livre. Três dias para os seus pássaros. Para os seus animais. Senhor de si. E de seu adorável cão. A fazenda. A bagunça boa. Diferente da escola. Os bois. Os cavalos. Pastam. Brincam. Se acarinham. Um coça o outro. Não são brutos. Não estragam as coisas. Ir olhar o rio. Enorme. Perigoso. Bonito. As garças nas beiradas. Perto dos aguapés. Pescando seus peixes.

Pacienciosamente. Uma predileção: aquela árvore. Bonita! Conquanto morta. Triste isso. Enorme. Contudo nenhuma folha. Nenhum verde. Enorme esqueleto. Nas suas alturas pousam os urubus. Quando descansam. As garças. As asas brancas. Também preferem o mais alto. Um quadro desigual. E triste, que ela não vive. Mas, mesmo morta, continua servindo aos outros. Se pudesse, ela ficaria linda. Folhas. Flores. Como seriam seus frutos? Descobriu-a já assim.

Nada sabia de seu antes. É certo. Nunca perguntara. Talvez tivesse medo de perdê-la assim. Tinha compaixão. Mas, em verdade, não a queria de outro jeito.

De manhã e de tarde, o seu jacaré. (Chamava-o Deolindo.) Ali se postava. Pronto para qualquer bobeira de pássaro. Íntimos a seu modo. Quando ele ressonava. Ficava raspando-lhe as costas. Exigente, o cara. Se trocasse de vara, ele não deixava. Também quando de olhos morteiros posicionado.Passeio de manhâzinha com seu duque. Atirando macauba para duque trazer. Uma caiu no cocho. Duque escorou-se na procura. Mas não entrou no cocho para apanhá-la. Pôs-se a executar seu latido a inimigos. Latido de perigo à vista. Foi ver. A sucurizinha punha a língua. Foi uma luta legal. Filhote. Contudo portava-se já em seu pra mais de metro. Meteu-a num picuá. Levou-a pra escola.

A professora de Ciências apavorou. Menino! Que vidro caberia aquilo? Falta do mínimo bom senso! Não cobras assim!

Decidiu-se. A sucurizinha foi ser oferecida ao zoológico. Ele e o veterinário. Exames. Ele apontava peculiaridades que observara. Ela tinha uma pequena quebradura que se regenerava. O veterinário confirmou. Ela tinha uma cicatriz. Alguma dentada de animal não-ofídico. O veterinário confirmara. Ela estava com fome. Fazia tempo em jejum. O veterinário confirmou. Disse em casa, não fora possível. Se não, saberia servir-lhe uns bons ratos.

Praxes burocráticas de registro findas. O veterinário quis um nome para a sucurizinha. Silêncios. Hesitações. Depois, o menino decidiu: Celeste. (Celeste era o nome da professora de Ciências.)



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