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Pedra
Data 02/fev/2001

A pedra. Decantado mineral. Espanta sua vividez. Suas veias latejam vida. Rastreiam energias. Substância nervosa. Vívida de calor. Sua solidez sem igual tão solitária quanto solidária.

A tudo se entrega a pedra. A começar pela essência. Nela, se funda, decerto, a consistência da Terra. A ossatura da Terra. A nervura da Terra. Suas fundações. Suas pilastras.

E absoluta a sua relação com os seres. Interagem permanentemente. Mais com o homem. Aos rios, assegura sua conformação. Aos bichos, morada natural. Pousada aquecida. Ou refrigerada. Defesa contra intempéries. Esconderijo contra inimigos. A pedra tem com eles o mais vivo contato. A perpetuação de diálogos tácitos.

Certo, mudam-se as roupagens. O corte. O traçado. A decoração. A espessura. Sim. Contudo, a substância não transmuta. Tudo é pedra absoluta.

Mas sim. É com o homem a sua maior interação. A ponto de ele a decompor. Para depois a recompor onde lhe aprouver. A pedra bruta desmilingúi-se. Para ser refeita como argamassa. Concreto. Cimento armado Sua recomposição tecnológica. Pedra transformada. Para servir o homem. A relação mais viva. Mais intensa. A pedra moldando-se ao homem. As cidades são pedras. Os prédios. Os pisos. As praças. As calçadas. As ruas. Os viadutos. Os estádios com suas arquibancadas. A pedra compõe. A pedra modela. A pedra adorna. É matéria a que o homem definitivamente se apegou. Tanto que concebeu o tijolo, a telha, o azulejo com a mais aproximada consistência dela possível.

Ainda muito pra lá da servidão à infra-estrutura. A pedra é também superestrutura. Dá-se aos adornos. Os ornamentos. Os enfeites ao corpo humano. As preciosas pedras. Tão chãs. Tão da Terra. Tão de todos. Porque terra. Contudo, o homem as transforma valiosíssimas. Cujas somas evidenciam os desníveis sociais.

Certo. A técnica a despersonaliza, quanto mais preciosidade lhe confere. Que a pedra, por mais rígida, é sempre viva. Porosidade feito à da pele. Respira. O que a técnica por completo lhe retira. Deixa-a uma morta-viva. Para que o homem, a mulher brilhem.

A pedra, objeto e símbolo da poesia. A substância pedra fundamentando o melhor da poesia cabralina. A pedra de Drummond no meio do caminho. A pedra Pedro. Pescada para a base da doutrina de Cristo. Os muitos Pedros Homens anônimos. E notáveis. Alguns vis. Outros pétreos.

E agora Pedro, neto. Que bem-vindo seja à vida. E nela permaneça sendo mais uma lájea viva.



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