Os rostos. Os corpos. São homens. São
mulheres. São homens e mulheres. Entregam-se. Vai-lhes
talvez apenas o fulgor. Acomete-lhes tão-somente a
luz intestina. Invisíveis brilhos. Movem seus corações.
Tantos. Heterogêneos. Corações de toda
parte. Corações humanos fremindo. A descompassos.
Insufla-lhes a vermelha energia patética vitalizante.
Essa paixão humana. A sua contínua
depuração é o diferente. Sobra o refinamento
dessa tormenta amorosa. Homens (desde que unicamente fome)
sonham. Sonhos pressupõem angústias. Pressupõem
inconformismos. Pressupõem insatisfações.
Sonhos alentam. Esperançam. Também se desatam.
Irretorquivelmente desfeitos.
Homens de todas as idades. De todos os sexos.
De todos os tamanhos. De todos os pesos. De todas as cores.
De todas as instruções (e todas as ignorâncias).
De todas as religiões. De todas as condições
(Homens do MST. Homens dos sindicatos. Homens dos partidos
tidos por políticos. Homens construções
do amor. Do consumo. De sonhos. De dores. Homens consumidores
--- assim, sumindo-se com suas dores. Homens ricos. Fornidos.
Favorecidos mais, quanto mais ricos. Homens pobres. Miseráveis.
Desfavorecidos, quanto mais pobres.) Homens. E desomens. Homens.
E desomens.
Entanto ali estão. Em níveis.
Únicos. Cada qual, um qual. Bermuda. Sem camisa. Cerveja
na mão. Refrigerante na mão. Cabelos multicores.
Inclusive as cãs. Impedernidos. Seus rostos vivos.
Sorrisos. Olhos de cor multíplices. Bigodes. Estão
soltos. Os corpos ali expostos. Aos sons. Que inebriam. Que
acordam. Que revivescem. Corpos que se desfazem. E se refazem.
Vão aos balanços de si mesmos. Aos balanços
conjugados na dança fagueira. Repositária. Reenergizante.
Leves. Pesados. Felizes. As canções evocam A
recordação dá sustância ao fazimento
do presente. E eles riem. E eles cantam. Eles trocam.
Então, ao irem embora, vão leves.
Talvez livres de muitas leviandades. Refeitos. Reconfortados.
Talvez refortalecidos para o confronto com as leviandades
que os esperam.