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DESASTRE
Data 29/set/2000

Sua hora vencera. A viagem. Nada curta. Nada tranqüila. O tráfego forte de fim de dia. Tratores. Carroças. Cruzando a pista. Pelos acostamentos. Bicicletas. Cachorros. Gente a pé.

Viagem amarrada. De dar nos nervos. Exigindo paciência. O tempo escoando moroso. Tráfico lento. Caminhões ressonando pesados pela estrada. Alentados pelo próprio ronco. Conquanto tudo parecesse ter pressa.

O sol do horizonte invadindo o visor. Tinha pressa. Ia a velocidade proibida. E assim chegaria atrasado. Os caminhões de carga. Fumarentos. Fila amedrontadora. Vencê-las. O grande risco. Mas imperioso. Ultrapassá-los. Ultrapassá-los. Sempre. O que já era tempo incapaz de vencer a tempo.

O dia perdera por completo o sol. Ia adiantado em sua agonia repetida. Açambarcando tudo avançava a noite.

Maldizia. Compromisso inadiável. Atraso podia ser completo desfazimento. A velocidade proibitiva também pela hora. As dificuldades espalhadas pelo escuro-claro. O aceso dos faróis apagados.

A guarita dos guardas-rodoviários. A distância, passou à velocidade imposta. Dia outro brecaram-no. Havia sido surpreendido por radar. Perdera tempo considerável. Hoje, isso seria o fim.

Sentiu latejar-lhe o sangue. O policial sinalizava que parasse. Deu-lhe ímpetos de desobediência. Parou. Roendo-lhe a raiva. Documentos. Acender lanternas. Acionar os freios.

Não. Aquele queria carona. Acabara-se. Um policial rodoviário a bordo. O compromisso esfacelava-se. Velocidade mínima permitida. Acabou-se. A perplexidade. Sorte mais abominável.

Ia arrasado. Silenciosos. O outro, decerto, respeitava seu silêncio. Olhou o relógio. Ponderou sobre a distância a percorrer: se restabelecesse a velocidade, seria possível. Compulsivamente fora resgatando-a . O policial, estático. A conversa à-toa para o contato entrecortado de silêncios. O automóvel mordendo a alta velocidade.

A esperança recompusera-se. O atraso ficara mínimo. O policial saltara na avenida mesmo. Ele elogiou a firmeza e a segurança com que dirigia. Todavia, tinha que tê-lo na conta de um velocista compulsivo. Corria muito. Atentando contra a sua própria pessoa. Portanto, ainda que muito grato pela carona, cumpria-lhe inibi-lo. Então, o dever exigia que aplicasse multa por excesso de velocidade.

E pediu a documentação para a lavratura da mesma.



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