Sua hora vencera. A viagem. Nada curta. Nada
tranqüila. O tráfego forte de fim de dia. Tratores.
Carroças. Cruzando a pista. Pelos acostamentos. Bicicletas.
Cachorros. Gente a pé.
Viagem amarrada. De dar nos nervos. Exigindo
paciência. O tempo escoando moroso. Tráfico lento.
Caminhões ressonando pesados pela estrada. Alentados
pelo próprio ronco. Conquanto tudo parecesse ter pressa.
O sol do horizonte invadindo o visor. Tinha
pressa. Ia a velocidade proibida. E assim chegaria atrasado.
Os caminhões de carga. Fumarentos. Fila amedrontadora.
Vencê-las. O grande risco. Mas imperioso. Ultrapassá-los.
Ultrapassá-los. Sempre. O que já era tempo incapaz
de vencer a tempo.
O dia perdera por completo o sol. Ia adiantado
em sua agonia repetida. Açambarcando tudo avançava
a noite.
Maldizia. Compromisso inadiável. Atraso
podia ser completo desfazimento. A velocidade proibitiva também
pela hora. As dificuldades espalhadas pelo escuro-claro. O
aceso dos faróis apagados.
A guarita dos guardas-rodoviários.
A distância, passou à velocidade imposta. Dia
outro brecaram-no. Havia sido surpreendido por radar. Perdera
tempo considerável. Hoje, isso seria o fim.
Sentiu latejar-lhe o sangue. O policial sinalizava
que parasse. Deu-lhe ímpetos de desobediência.
Parou. Roendo-lhe a raiva. Documentos. Acender lanternas.
Acionar os freios.
Não. Aquele queria carona. Acabara-se.
Um policial rodoviário a bordo. O compromisso esfacelava-se.
Velocidade mínima permitida. Acabou-se. A perplexidade.
Sorte mais abominável.
Ia arrasado. Silenciosos. O outro, decerto,
respeitava seu silêncio. Olhou o relógio. Ponderou
sobre a distância a percorrer: se restabelecesse a velocidade,
seria possível. Compulsivamente fora resgatando-a .
O policial, estático. A conversa à-toa para
o contato entrecortado de silêncios. O automóvel
mordendo a alta velocidade.
A esperança recompusera-se. O atraso
ficara mínimo. O policial saltara na avenida mesmo.
Ele elogiou a firmeza e a segurança com que dirigia.
Todavia, tinha que tê-lo na conta de um velocista compulsivo.
Corria muito. Atentando contra a sua própria pessoa.
Portanto, ainda que muito grato pela carona, cumpria-lhe inibi-lo.
Então, o dever exigia que aplicasse multa por excesso
de velocidade.