Estes quadros. Estes álbuns. A cor.
O formato. A matéria. Marcam-lhes a idade. A passagem
do tempo. Esse Senhor absoluto. Único. Austero. Ubíquo.
Construtor-destrutor indelével. Ser abstrato-concreto.
Perene efeméride.
Ei-lo ali naquela acácia. Repleta em
cachos amarelos. Enormes. Vigorosos. E em profusão.
A árvore ossuda é puro esqueleto e flor. Enormes
brincos amarelos compostos de brincos pequenos: penduricachos
enfeitando as multifaces desta cara acácia a casa.
Já não é a mesma magnitude. Conquanto
seu prestígio continue inabalável. Num de seus
braços, o balanço antológico pendurou-se
para as doces vertigens das crianças. Cupins vorazes
abalaram-lhe a subsistência.
Naquele quadro ali, os filhos. No quintal.
Tão meninos. A sã infância envolvida com
suas fantasias. Criando peripécias. Para o regozijo
da família. E tão desaparecidos. Que o tempo
tornou-os quase completamente outros. Mas já aí
se vê acentuando os traços das personalidades
de hoje.
Olha ali ao lado deles. Laica. Porte garboso
de doberman bem sarada. Dulcíssima. Como o quê!
Guardiã incansável. Também ela, é
verdade. Como Ozzi, hoje, tinha suas iras repentinas. Seu
alvo era o pobre Bolinha. É ele ali naquele outro quadro.
Enroscado em meio aos meninos. Luluzinho que os meninos inseriam
sempre em seus brinquedos. Rueiro. Por mais que se o buscasse
trazer preso. Dava-lhe a sapituca (dizia a avó). E
quando mais se distraísse, cadê. Laica (dava-lhe
a sapituca) abocanhava-o, quando mais não se esperasse.
Em segundos, literalmente, tornava-o peteca. Era um deus acuda.
Assim faz hoje Ozzi com Totó. Laica. Morte dorida.
Sim. Essa sibipiruna já não
há. Esse chapéu-de-sol. Tampouco aquele pé-de-pitanga.
Árvore espigada, a pitangueira. E uma fruta ímpar.
Um sabor de campo. Ao trincar sua textura enrugada de vermelho
ao ponto, o gosto de roça. Ambas sacrificadas. A extensão
da casa havia que passar por ali. A goiabeira. A jabuticabeira.
O cajueiro. Hoje remedeiam. Todos muito pródigos na
desova de suas frutas.
Terna garagem. Tosca. Contudo muito prática.
Nela, mais arejada, as festas de aniversário. Essa
foto é de uma delas. Danilo. Há muito desaparecido.
Trouxera um seu macaquinho (aí dando-lhe de comer).
Inofensivo. Pura estrepolias. Atração máxima
da molecada.
Olha! É Snoopy. Quão mocinho.
Orelhas erguidas. Esbelto. Nada deste amado velhinho a que
são todos os cuidados.
É o tempo incidindo sobre suas próprias
criaturas. E nelas arrasando a si mesmo. Para em seguida recomeçar.
Efetivas materializações da Fênix.