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Data 23/set/2000

Estes quadros. Estes álbuns. A cor. O formato. A matéria. Marcam-lhes a idade. A passagem do tempo. Esse Senhor absoluto. Único. Austero. Ubíquo. Construtor-destrutor indelével. Ser abstrato-concreto. Perene efeméride.

Ei-lo ali naquela acácia. Repleta em cachos amarelos. Enormes. Vigorosos. E em profusão. A árvore ossuda é puro esqueleto e flor. Enormes brincos amarelos compostos de brincos pequenos: penduricachos enfeitando as multifaces desta cara acácia a casa. Já não é a mesma magnitude. Conquanto seu prestígio continue inabalável. Num de seus braços, o balanço antológico pendurou-se para as doces vertigens das crianças. Cupins vorazes abalaram-lhe a subsistência.

Naquele quadro ali, os filhos. No quintal. Tão meninos. A sã infância envolvida com suas fantasias. Criando peripécias. Para o regozijo da família. E tão desaparecidos. Que o tempo tornou-os quase completamente outros. Mas já aí se vê acentuando os traços das personalidades de hoje.

Olha ali ao lado deles. Laica. Porte garboso de doberman bem sarada. Dulcíssima. Como o quê! Guardiã incansável. Também ela, é verdade. Como Ozzi, hoje, tinha suas iras repentinas. Seu alvo era o pobre Bolinha. É ele ali naquele outro quadro. Enroscado em meio aos meninos. Luluzinho que os meninos inseriam sempre em seus brinquedos. Rueiro. Por mais que se o buscasse trazer preso. Dava-lhe a sapituca (dizia a avó). E quando mais se distraísse, cadê. Laica (dava-lhe a sapituca) abocanhava-o, quando mais não se esperasse. Em segundos, literalmente, tornava-o peteca. Era um deus acuda. Assim faz hoje Ozzi com Totó. Laica. Morte dorida.

Sim. Essa sibipiruna já não há. Esse chapéu-de-sol. Tampouco aquele pé-de-pitanga. Árvore espigada, a pitangueira. E uma fruta ímpar. Um sabor de campo. Ao trincar sua textura enrugada de vermelho ao ponto, o gosto de roça. Ambas sacrificadas. A extensão da casa havia que passar por ali. A goiabeira. A jabuticabeira. O cajueiro. Hoje remedeiam. Todos muito pródigos na desova de suas frutas.

Terna garagem. Tosca. Contudo muito prática. Nela, mais arejada, as festas de aniversário. Essa foto é de uma delas. Danilo. Há muito desaparecido. Trouxera um seu macaquinho (aí dando-lhe de comer). Inofensivo. Pura estrepolias. Atração máxima da molecada.

Olha! É Snoopy. Quão mocinho. Orelhas erguidas. Esbelto. Nada deste amado velhinho a que são todos os cuidados.

É o tempo incidindo sobre suas próprias criaturas. E nelas arrasando a si mesmo. Para em seguida recomeçar. Efetivas materializações da Fênix.



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