Home
|
Conheça Tito Damazo
|
Textos
|
Contato
|



A Hora da Estrela
Data 23/mai/2000

A Hora da Estrela é uma novela de Clarice Lispector há pouco "descoberta" pelos estudiosos, críticos e, por isso, passou a figurar como leitura obritagória em vestibulares e no Exame Nacional de Cursos Superiores, o "provão", para os cursos de Letras.

É uma novela, como tudo de Clarice, extraordinária, sobretudo pelo isólito dessa linguagem literária peculiaríssima, que causa estranhamento e instaura a dissonância a cada frase. O narrador é um escritor que se propõe a contar a história de uma nordestina "cariada", como ele diz, e também concomitantemente a falar de si mesmo. Faz, portanto, um jogo narrativo em primeira e terceira pessoa, ora falando de seu ofício de escritor e da fatura da história sobre Macabéa, para em seguida, por longo tempo, assumindo uma terceira pessoa, ir tecendo a seu modo a história da personagem.

Interessa-me aqui apenas fazer uma "amostragem"do procedimento da linguagem dessa preciosidade literária. Ressalvado, evidentemente, o fato de que as frases que para aqui transponho, estão descontextualizadas, logo em si mesmas não contenham o sentido que emanam no todo, vejo-as como verdadeiras "máximas" que vão sendo construídas na configuração do texto.
Ei-las:

A Hora da Estrela
Clarice Lispector


"as coisas acontecem antes de acontecer"; "Deus é o mundo"; "A verdade é sempre um contato interior inexplicável"; "O que amadurece plenamente pode apodrecer"; "Jamais se esquece a pessoa com quem se dormiu"; "Às vezes a forma é que faz conteúdo"; "Deus é de quem conseguir pegá-lo"; "Na distração aparece Deus"; "O que é bom, devia ser proibido"; "Sofrer um pouco é um encontro"; "Às vezes só a mentira salva"; "Não se conta tudo porque o tudo é um oco nada": "Crepúsculo é hora de ninguém"; "A vida é um soco no estômago": "Pensar é um ato. Sentir é um fato"; "O movimento é espírito"; "Quem se indaga é incompleto": "Até no capim vagabundo há desejo de sol."

A mais", aponho algumas frases singularíssimas (coisa comum em Clarice, mas sempre impactante):
"Não sei o que, mas sei que o universo jamais começou."
"Será mesmo que a ação ultrapassa a palavra?"
"Sou um homem que tem mais dinheiro do que os que passam fome, o que faz de mim de algum modo um desonesto."
"Comer a hóstia será sentir o insosso do mundo e banhar-se no não."
"O cais imundo dava-lhe saudade do futuro."
"A música era um fantasma pálido como uma rosa que é louca de beleza mas mortal:"
"--- Eu vou ter tanta saudade de mim quando morrer."
"E arrumara um jeito de achar nas coisas simples e honestas a graça de um pecado."
"Ela nada pedia mas seu sexo exigia, como um nascido girassol num túmulo."



Resolução mínima de 800x600 © Copyright 2003, Poetagem - www.poetagem.com.br

Site Produzido por Espaço Cibernético Espaço Cibernético