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Angústia
Data 06/fev/2000

Canalha! São covardes. Matam. Fodem. Estupram. E fogem. Homiziam-se às barbas da polícia. Depois aparecem. Advogado pronto para a defesa. Santo Deus! Defender tamanha monstruosidade! Quando se acaba, a pena mínima praticamente livra o bandido e incentiva a prática . Enrolam, apelam, vão dizer tratar-se de problemas mentais.

Filho da puta! Matá-lo, no mínimo. Ou estuprá-lo também. Uma sevícia à altura. Meter-lhe um cabo...cabo de martelo até o cabo. Cafajeste! Para saber o que é um homem penetrar uma criança.

Tantas mulheres por aí predispostas. Prostitutas (muitas bonitas, boas) prontas para o prazer solicitado. Mas não. Ao tarado apraz o picante da perversidade. Uma menina. Dez anos é idade de uma criança. Ela brinca ainda muito com suas bonecas. Dez anos! Estuprada. E grávida! É o fim. Essa boneca ela repele. E não pode mesmo querer. Será a amarga presença da tragédia.

Filho não é fruto de estupro. Filho é fruto do prazer de amor. Vai ser uma mulher marcada. A nódoa. A cicatriz que não tem jeito. É cicatriz na alma. E cicatriz moral. Duplamente cicatriz. A sociedade finge que não, mas não perdoa. Perdida! A discriminação vai persegui-la.

Filha! Como pôde acontecer isso! Descuidaram dela? Trataram-na sempre bem, sempre dando a ela do bom e do melhor. Carinho. Passeios. Brinquedos. Como pôde se deixar seduzir por aquele canalha? Uma menina, uma criança que ainda brinca de boneca!

Grávida. Assassino! Essa tevê com novelas imorais. Filmes pornográficos. E ainda para piorar a internet com os programas obscenos. Sexo explícito no computador. Como impedir , como evitar tudo isso? A escola deveria orientar essas crianças. É sua função. Aos pais fica muito difícil, constrangedor. Sempre defendeu a idéia nas reuniões da APM da escola de sua filha. Mas sabe bem que tanto lá quanto noutras os próprios pais objetam. O argumento é pura ignorância: a criança passa a ser motivada a experimentar. E agora? Não havia escola estimulando.

Filho da puta! Matar esse cafajeste! Se não ele, os presos dariam conta do recado. Estuprador na cadeia é homem morto. Mas morrer é acabar-se. Se ao menos esse canalha pudesse viver o resto dos seus dias preso mesmo, sem nenhuma regalia. Mofar sob o peso do cárcere. Quatro paredes e comida com salitro para acabar com a força de homem. Seria um penar pelo crime até o fim.

Canalha! A filha estuprada. Grávida. Perdida. Muito fácil a esses padres! O feto não é tudo isso que eles dizem. Abortam por aí todos os dias. Agora vêm com essa pra cima da sua filha! Mãe aos dez anos de idade! Ser avô desse modo! Como pensar nisso? Um neto, se a própria mãe dele ainda requer cuidados. Um neto. Avô. Cuidar de filha e do neto ao mesmo tempo. Sentia os olhos da mulher iluminar-se quando a conversa espadanava para esse lado. E o parto? Dez anos! Não seria outro sofrimento, mesmo sendo cesária? Neto, de uma filha de dez anos de idade.



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