Entre o temor
e a esperança;
entre a entrega
e esquivança;
entre a bruteza
e o perdão;
entre a dádiva
e a torpeza;
entre a soberba
e a humildade;
entre a fome
e a fartura;
entre o recolhimento
e a aventura;
entre a riqueza
e a miséria;
entre a realidade
e a utopia;
entre a dignidade
e a vilania;
entre o sonho
e a vigília;
entre o perdão
e o perjúrio;
entre o inefável
e o factível;
entre a busca
e o interminável;
entre Deus
e o diabo;
entre o irrevogável da morte
e a relutância da vida
há os homens
e as mulheres,
agem homens e mulheres
desde há milhões de anos
imprecisos.
Então, dois mil anos
de Cristo são ínfimos
ante essa desdita longínqua.
Resta a pertinaz persecução
na trilha do mito.